terça-feira, 7 de maio de 2013

Laços & Nós

Somos...

O som, o soul, o fato e boato 
O gosto, o abraço o calor e o tato

A cor, o calor, a gula, a mistura
O ódio, o amor, o rastro e a loucura

A tara, a pele, o quente, o frio
O toque, a fala, o beijo e arrepio

A gana, o engano, o desejo, o drama
A alma, a cama, a calma e a chama

A fase, o silêncio, o sim e o não
A falha, a palavra e a quase razão

O mais, o menos, o vício, o veneno
O vem, o vai, o propício e pleno

Efeito, euforia, a dose, o tempero
A selvageria, a voz, o exagero

O alvo, alívio, o jeito e o gesto 
A cara, a metade, o inteiro e o resto

O caso, o olhar, a briga, a foda 
A perda, a ida, a volta e o agora

O contra, o sempre, o dentro e o fora
A fácil espera e difícil demora

Futuro, passado, um tanto presente
O puro, o errado, o certo e ausente

O encanto, o após e o durante da gente...

São laços
E nós 
De só 
Nós
2
Somente

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Três Cortinas

É ele
O velho karma
Vai e vem
E me desarma

Pouco longe
Nem tão perto
Quase incerto
Vem pra mim

Eu desperto
Se ele volta
E a gente não se solta
Outra vez 
Eu sei que é sério
É um mistério
E não tem fim

Ele sente
E me intimida

Permanece do meu lado
Eu durmo
Tô perdida
E quando acordo?
Ele deitado

O 1 é um problema
Quando eu penso
Acabou
De repente
O mesmo tema
Nosso show
Só começou

O 2 é o surtado
Um total apaixonado
Por demais inusitado
E um tanto infantil

Faz de mim
Só poesia
Drama
Amor e boemia

E eu senti?
Que ironia...

O encanto já sumiu

Ele tem um Q de artista
Personagem meio autista
Para ele
Sou a
Flor

"Por favor não insista
Sem querer ser pessimista
Mas isso não é amor"

Tem o 3
que é o distante
O blasé
O arrogante

É a própria interrogação

É o perfil
Do interessante
Culto, rico, inebriante
E grande mestre em sedução

Faz o estilo 
Casual
Um sujeito controverso
Ele é anti-social
Carinhoso 
E perverso

Demonstra um certo medo
Preso em leve timidez
Quando cede
Eu nunca cedo

Em resumo
Perco a vez

Só falo se ele fala
É aquele velho truque
O encontro sempre falha
E se estende ao facebook

Tediosa adrenalina
Tão fechada abertura

Um dos 3 só se destrava
Se eu abrir a fechadura

Desisti
Perdi a chave

E digo
"Adeus adrenalina"

Qual de nós será que sabe
como abrir minhas cortinas?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Quase Tudo

Incrível o poder da mente
O que se pede agora
Realiza de repente

Cuidado com o que deseja
Dizem que pode realizar
Espere que assim seja
Sem ter medo de acabar

Não há o que não haja
Não há o que não haver
Toda busca que se acha
Também há de se perder

As vezes já é tarde
Uma porta se fechou
Entenda que faz parte
Mais um ciclo encerrou
(...)
Talvez alguma fresta
Outro lado da janela
Tudo um dia se revela
Quando menos se espera...

sábado, 31 de março de 2012

Mesma Cena

Todo o dia a mesma cena
De manhã até à tarde
O ambiente lhe condena
E o desejo lhe invade

O fim que não termina
Volta atrás com recomeço
Transforma vira sina
E o lado certo do avesso

Os meses vão passando
perde encontra um novo encanto

Ela chega, ele parte
Se repelem lentamente
Outro dia se reparte
Em dois tempos diferentes

Ela prende, ele solta
Outra vez que evapora
Ele vai e ela volta
com os restos na memória

Todo o dia a mesma cena
mais um fim uma lembrança
Ela se envenena
outra vez com esperança
Dessa vez a coisa anda

Pensa alto, chora, grita
Ele volta a sentir falta
Ela finge que acredita

Todo o dia a mesma cena
Já passaram sete meses
A rotina crua e plena
se repete outras vezes

O outono enfim chegou
Folhas soltas vão caindo
Ele faz aniversário
E aos poucos vai sumindo

Todo o dia a mesma cena
Mesmo texto decorado
Ela para sente e entende
Ele não é meu namorado

Para o orgulho, impossível
A paixão que não preencheu
À razão quase invisível
Por pouco apareceu

Outra cena novo dia
O que era quente congelou
O roteiro perdeu linhas
E o outono acabou

O inverno surge intenso
Cada um no seu momento
Ele tenta, ela ignora
Sem nenhum constrangimento

Todo o dia a mesma cena
No trabalho, ele e ela
O silêncio que ela espera
Talvez só na Primavera

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

wish you were beer

Como todo mundo sabe, homem que é homem idolatra cerveja!
Entre devaneios, dicas no twitter, filosofias de buteco, muita cerveja em buteco, síndromes do dia-a-dia da série: a vida como ela é, pensei e repensei com meus botões e notei a extrema ligação que os queridos tem com cerveja, veja você: CADA UM COM A SUA CADA QUAL:
Pois bem:

1) Homem Kaiser - É aquele cara barato, pau-pra-toda-obra, você já consumiu várias e várias vezes mas sabe que ele realmente não se enquadra nos especiais. A gente acaba consumindo algumas vezes, geralmente quando já estamos levemente alcoolizadas e não existe mais nenhuma opção plausível pra aquela noite. O Homem Kaiser é uma espécie de estepe, ele serve, não é de todo ruim, mas também não te deixa satisfeita. Acaba geralmente, enjoando justamente por não ser tão bom quanto nós gostaríamos.

2) Homem Polar - Sabe aquela sensação de que "o cara" não tá presente? O homem Polar é esse, quando "o melhor não ESTÁ aqui"! O homem Polar é quase um homem Bi-Polar. As vezes te dá maior bola, as vezes se faz de fodão. Você nunca sabe direito mas (quase) sempre ele tá ali! É aquele delícinho, o fofinho, bonitinho, engraçadinho, cai bem, cai super bem, mas no fundo... ele é aguado. Falta substância, firmeza, não tem pegada, ou no fundo no fundo, ele é daquele tipo medrosinho, que falta atitude ou talvez idade pra te acompanhar direito. O homem Polar também são conhecidos como os amigos heteros de mulher, aqueles amigos que na verdade não são teus amigos, só querem te comer (mas não chegam a reta final).

3) Homem Skol - É aquele que desce bem, muito bem, o redondinho, o padrão! É o cara que é "a bola da vez"! O Homem Skol é aquele cara que é todo correto, o cara que a gente apresenta pros amigos, amigas e quando nunca, até pra família. Ele cai bem pra qualquer ocasião; se veste bem, é educado, sociável, bom de cama, chama atenção e te chama de dele! É ciumento, conservador e enxerga namoro até onde não existe! Espertas são aquelas que conseguem domar o Homem Skol, ele é realmente um (quase) tudo de bom, se não fosse por ser tão redondinho e... sorry, comum!

4) Homem Guiness - É o legítimo mala! O Homem Guiness é aquele que desce pesado, te deixa enjoada, só frequenta a elite, fala desde Marx até aquecimento global durante a noite inteira, mas ao invés de te acordar só te deixa com sono. Homens Guiness na minha opinião poderiam ser enquadrados de gays, pois Guiness não é cerveja de mulher, mas enfim, o cara Guiness vai te levar nos melhores restaurantes, nos melhores Pubs da cidade, nos melhores hotéis, nos melhores tudo... até você notar que na verdade você não queria algo assim TÃO encorpado. Após algumas noites com o homem Guiness, bate a dúvida: Onde é que tava minha Kaiser ou minha Polar mesmo?!

5) Homem Budweiser - É aquele cara em extinção! Aquele que é come-quieto, que mal aparece na mídia, mas nos anos 90 aprontou muito ou teve inúmeros problemas com a concorrência. O homem Budweiser é quase o perfeito. Ele é forte, é sexy, faz a pinta de macho, mas na verdade, a gente sabe que ele desce bem de leve. Esse cara metido a fodão vai te levar as alturas, tem ideias insanas, é aquele engraçado interessante com um humor sarcástico, é aquele que vai te levar pra cama provavelmente por te ganhar na lábia, na conversa e veja você... no riso.
o homem Budweiser no fundo ele é um sensível (basta a gente saber domar), é o amigo, talvez aquele que SE FINGE de amigo, o legítimo BUDDYweiser sabe?! Como eu disse acima, os Budweiser estão em extinção. Meu sonho é encontrar um desses pra mim mas ainda não caiu na minha horta, quer dizer, no meu "copo"!

6) Homem Heineken - É o querido que parece um pouquinho amargo! Grande parte dos caras Heineken são lacônicos, sérios, algumas vezes engraçadinhos mas a maioria gosta de estampar o seu mau humor, que convenhamos, é um charme. Após conhecê-lo melhor, você vê que o homem Heineken cai super bem, não te deixa enjoada, não é grudento e nem tem crises de ciúmes, porque esse jeitinho de garoto enxaqueca eles nunca tiram a máscara! Enjoamos dos Heineken a maioria das vezes por que esse ladinho amargo deles é só truque; no final você descobre que ele é um POÇO de sensibilidade!

7) Homem Nova Schin - É o loser, o aflito, o chato, o mala. Homens Nova Schin estão enquadrados na Velha Safra. São aqueles caras que surgem da gaveta quando você menos espera, aquele tipinho que quando você chega num churrasco de um semi-conhecido, lá está ele na gaveta - literalmente - te esperando! É o cara do "revival", o cara que te suplica por um "remember", o cara que você nem lembra mais que existe, aquele que certamente você já bebeu há muito tempo atrás, finge que NUNCA, esqueceu como é o gosto porque tem medo até de lembrar! Mas ele sempre volta como um assombro, um vulto, um exu, louco pra ser "bebido" novamente. Homens Nova Schin é uma pena, mas nem quando estamos bêbadas recorremos a vocês. :~

Moral da história: Devo investir nos destilados ou parar de beber?!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Relationshits

Será que é a pegada que deixa a mulher apegada?
Será que é o beijo que define o nível da trepada?
Será que é ele ou você que não te dá o devido valor?
Será que é só sexo ou existe amor?
Eles preferem as presas pra se sentirem mais livres.
Eles preferem as pobres pra se sentirem mais ricos.
Eles preferem as burras pra se sentirem mais inteligentes.
Eles preferem as dependentes pra se sentirem independentes.
Eles preferem as passivas pra se sentirem mais ativos.
Eles preferem as mulherzinhas pra se sentirem mais machos.
E se você causa medo...
Pode ter certeza. Ele vai ser o primeiro a ir embora mais cedo.
Será que é o início que determina o meio?
Será que é você ou ele que vai te dar freio?
Eles gostam de te dar rédeas curtas.
Querem uma lady na rua e na cama, uma puta.
Ele te deseja até o último minuto.
Até você perceber...
Ele não é teu amigo.
Ele só quer te comer.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pó de crer

Na calada da noite, se encontraram. Obra do acaso, obra do destino.
Os olhares se cruzaram em meio àquela multidão de pessoas, em meio à música alta, barulhos alheios, risadas frenéticas, cheiro de álcool e o perfume da ilusão.
Ambiente cheio. Cheio de pessoas vazias... E o olhar, a profundeza dos seus olhares.
Metros de distância, tão perto mas tão longe... Chegaram perto um do outro;
Ela vestia branco, olhos vivos, brilhantes, em choque, vibrante. Sorriso estampado, levemente tímida, com a imponência que sempre lhe foi peculiar.
Ele vestia o casaco que ela mais gostava. Postura baixa, abismado, olhos vivos, sério, vidrado. Com a insuficiência que sempre lhe foi peculiar.
A – Nem acredito, sério...
B – No quê? Tudo bem contigo? Que bom te ver.
A – Sempre, tudo ótimo...
(Suspira)
B – Eu nem sei o que falar.
(Ele sorri, fica em silêncio, olha pro chão.)
A – Não precisa falar nada. Isso fala por si só, acho.
B – Nunca fui bom nisso. Enfim, tu sabe, fiquei meio tenso agora.
(Ele puxa um cigarro, lhe oferece um cigarro, acende os dois.)
A – Não precisa, tu tá indo bem.
B – Eu nunca vou bem em nada, mas me sinto melhor agora... gostei disso... de te ver.
(O silêncio é ensurdecedor; eles param, se olham, sem saber o que dizer nem o que pensar.)
A – Lembra?
B – Do quê?
A – A primeira frase que ouvi de ti foi “Eu tenho o que tu quer!”, e hoje, não sei por que lembrei disso, parece uma parte II daquela primeira vez. Sinto assim.
B – Eu tenho o que tu quer?
A – Eu não sei, talvez nunca saiba... enfim, eu tô com um pouco de pressa, só parei pra cumprimentar um amigo, achei bom te ver. Mesmo.
(Ela vira as costas e acena de longe, dando adeus.)
B – Eu também, muito. Talvez tu tenha o que eu quero.
(Ela para e vira somente o rosto.)
A – Eu voei, como pó!
Responde simpática, sarcástica e vai.
Com muita pressa, como sempre lhe foi de costume, voou como pó, inteiramente pura, branca, fina, volátil, deixando-o com o coração acelerado, envenenado, e seus olhos, ainda mais vidrados.
Ele continuou ali, no mesmo lugar, parado, com um copo de uísque na mão. Sentia-se sozinho, confuso e bêbado, em meio à sobriedade caótica de pessoas aleatórias e inflado de memórias e pensamentos, guardados. Na calada da noite, cinzas que voaram. Um encontro relâmpago, expresso, fugaz. Brinde do acaso, que foi levado pelo vento. Um tanto de pó.
Pó de crer.
Pó de crenças, incertezas e desejos ocultos que jamais seriam desvendados pois simplesmente o vento levava, a brisa soprava, o ar sugava, o medo aspirava e a fantasia... virou pó, pó mágico.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Perigo de Sorte - Alta Tensão

...E talvez só os dois tivessem a cura
para a doença interminável que existia
A presença foi inevitável
o fim de uma ausência sumia
Ela perdida no próprio renascimento
enquanto ele por dentro, morria
Ele que por tanto tempo a procurou
sentiu que seu prazo havia expirado
Ela enfim se [re]encontrou
havia recém começado
Estavam sendo guiados – ambos - por um poder duplicado
A dor transformou-se em amor
passou a ter cor, calor, sabor
a nova era de um longo início
Ela levantou vôo
altura invisível de um precipício
Mergulho profundo
lento e sublime na imensidão
Ele criava frutos
como se fosse uma árvore
com suas raízes cravadas no chão
O tempo passava depressa
perdeu a relação com o espaço
Quando enfim se reencontraram
Presos tornaram-se os laços
E deixaram plenos
o tudo e o nada para tras
Paz
interna externa e eterna
era somente o que ele pedia
Ela oscilava [in]constante
entre a paixão
o medo
e a euforia
... E talvez só os dois tivessem pura
a intensa [incurável] sincronia
Que crescia infinita
lado a lado
dia a dia
Não teve cura
foi nua e crua a realidade
Ela era só energia
E ele
Apenas eletricidade

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando todos os feitos pareciam ter sido esquecidos
Quando todo o amor matou a posse e renasceu falecido
Quando todos os defeitos voltaram, sem ao menos terem partido;

Dias coloridos que passaram em preto e branco
Noites mal dormidas a espera de outro tanto
Relações cruas cheias de luz que perderam o brilho...

[O mistério que seduz, foi o próprio auxílio]

O encanto cultivou os encontros
Perderam-se juntos em reticências, vírgulas, pontos
Entre os cantos, sonhos, esquinas, apenas mais um conto

Ideias mortas que sumiram com o vento
Frases tortas, cretinas, suplicavam por algum sentimento
E os corpos que se perdiam nas horas
Se cruzaram de fora, para dentro

O espírito tentou sentir a alma, selvagem, visceral
A mente perdeu a calma, a viagem e o final
Marcas que voaram, invisíveis pelo ar
Cartas que somente o tempo
Seria capaz de enviar...
...E o desejo contido
No silêncio de um olhar.

Quando todos os gritos perderem a voz
Quando todos os conflitos permearem no após
Quando todos nossos contras se transformarem em prós
Os laços livres - presos - farão sentido.
Só eu, você e nós.

quinta-feira, 25 de março de 2010

SCREAM FOR CONTROL

Por que nós gritamos um com os outros? Em uma única palavra, satisfação.

Jogar nossa raiva sobre alguém nos dá uma sensação rápida e profunda.

Mas, como uma droga, esse comportamento vai longe e logo precisamos do próximo grito de raiva para nos colocar em forma novamente.

Hoje, quando vocês quiser gritar, ou sentir raiva, restrinja. E isso não significa que você tenha que esconder a sua raiva ou fingir que ela não existe.

Mas, simplesmente, não despejá-la sobre os que estão a sua volta.

---Daily Kabbalah Tune Up: Scream for Control [24032010]---

quarta-feira, 3 de março de 2010

Desnutrido

Vivia numa busca
Incurável, sem remédio
Seu mal era inflável
Camuflado pelo tédio
Ele tinha vinte e três
Vinte e três longos
Enganos
Que cresciam lentamente
Toda vez no fim do ano
Seu corpo era fraco
Retraído em sua loucura
Media exatamente
Um metro e oitenta
De amargura
Buscava o equilíbrio
Sua vida era um peso
E marcava na balança
Setenta quilos
De desprezo
Desprezo pelos outros
Por si mesmo, tudo igual
Nutria um certo apego:
Dezoito centímetros
De mal!
Mau humor, desamor
Seu valor mal existia
Sentia-se indisposto
Vinte e quatro
Vezes ao dia
Vivia em um transe
Uma sina, um tormento
Seus sonhos?
Na padaria
Ele não conhecia
A não ser o alimento.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Prato [E]feito

Sumiu sem deixar rastro
Endereço e identidade
Fez de mim um objeto
Pra matar sua vontade
Pra ele, eu era rara
Caprichou na encenação
Testou a minha tara
E partiu na contramão
Seu nome era falso
Personagem triste e só
Na primeira eu já sentia
Voaria como pó
Na segunda ele mostrava
Uma certa intimidade
E sempre deixou claro
Que falava a verdade
Um tanto controverso
Ele era um impostor
Fingia ser sensível
Detestava o desamor
Perguntou-me sobre sonhos
Fiquei muda, que momento
Então ele replica:
De comer, o alimento
Parecia que era filme
Um roteiro bem canalha
Como ator era excelente
Mas a história teve falha
Uma pena, eu diria
Seu sumiço, a partida
Eu queria ele apenas
Como um prato de comida.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Partido ao meio

...E então, mais uma vez ele diz "vou embora" quando na verdade, o resto de toda sua vida, viveria em solidão profunda, perdido no universo, itinerante, alma vaga, fingindo e fugindo sempre, não dos outros a sua volta mas sim, de si mesmo;
O vazio permaneceria latente por anos e a busca de um encontro perfeito com sua [própria] identidade seria ilusória, perdida, inerte...
Ele jamais se encontraria com seu passado, seu presente e muito menos com algum possível futuro. Selvagem?
A partida foi nua, crua, neutra e paradoxalmente, visceral.
Eu não tive nada a dizer;
Todas minhas frases de efeito não compensaram o poder absoluto do meu silêncio.
Ele partiu.
E eu não senti.
Foi assim, volátil, volúvel, líquido... etéreo!
Minhas últimas palavras foram jogadas com pressa num papel qualquer ao lado da cama.
Apenas um sonho;

Quando ele acordou, quem havia partido, era eu.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

EGO

O mínimo não mais compensa
paraíso infernal.
A lembrança sente a falta, o veneno foi letal.
O orgulho se limita estranhamente feroz
preso não só a si mesmo
mas brutalmente em nós.
Escrúpulo suficiente pra fingir o que não sente
Os dias passam
os erros ficam
cada vez mais imersos no fundo da gente...
Da alma.
Manter a calma.
O tempo é o incrível senhor da razão.
Hoje controla a certeza
amanhã liberta a ilusão.
Não há chaves que possam abrir os cadeados
saídas e entradas.
Falsas surpresas e o profundo artifício
de um vazio inacabado
Dar um basta!
Me soa tão radical.
Talvez eu mude de ideia quem sabe agora
outra hora, no meio ou final?
Pausa.
Minhas causas não tem nexo.
Não culpo o destino tão lento, intenso e complexo.
Esqueci o que eu ia dizendo.
Me dá medo de lembrar, andei perdendo palavras,
razão e um pouco de ar.
Sei que é coisa do momento, amanhã não será nada
talvez eu mude de ideia e encontre o fio da meada.
O que era não vai ser e o que é ficou para trás.
O que vem me leva a crer que o futuro se desfaz.
Encontrei argumentos, perdi o fio da meada.
Mudei de ideia, encontrei as palavras
a razão e o ar que me deixava sufocada
Ainda dispenso... todo e qualquer tipo de
alarme, ladainhas e faíscas.
As vezes eu me apago
As vezes eu me apego
As vezes eu me pego
somente em busca
de um novo alguém
que resista...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pet

Resolvi te adotar
Como causa
Ou animal de estimação
Prepare-se para uma vida
Sem pausas
Você será o meu gato
Ou quem sabe um leão
Me ensina a te dominar
Quero ver o teu lado felino
Mostra tua essência selvagem
E apreende o que eu te ensino
Você pode ser meu cachorro
Me morder, me fazer companhia
Eu arranco tua coleira
E te permito ser o meu guia
Te adoto como um peixinho dourado
Escorregadio de cores brilhantes
Mergulha junto comigo
Lado a lado, como amantes
Pode até andar pra trás
Como se fosse um caranguejo
Eu te adoto com vontade,
Mas sacia os meus desejos
Vou te dar todo o conforto
Com carinho e mordomia
Em troca você será meu coelho
No quesito energia
Pode até me envenenar
Ser minha naja, meu escorpião
Desde que me surpreenda
Me leve pro céu e me traga pro chão
Pode vir com muita força
Ser meu touro ou meu cavalo
Eu te ensino o meu ritmo
E a seguir no meu embalo
Você pode ser volátil
Com o brilho intenso de um vaga-lume
Me ilumina do teu jeito
Mas não deixa que eu me acostume
Eu te adoto todo dia
Toda hora, em qualquer lugar
Me ensina a ser tua dona
Que eu te ensino a me domar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Doação VS Impotência

(...) Nada mais delicado do que críticas destrutivas.
As críticas destrutivas são de uma sutileza inigualável, capazes de provocar os melhores insights sobre nós mesmos. São através dessas críticas, desse olho nu, dessa análise complexa (dos outros), que nascem as críticas construtivas.
Após inúmeras constatações sobre a minha pessoa, reconstruções comportamentais, consultas terapêuticas entre outros alertas infames que ouvi por aí, cheguei à conclusão do quanto me dôo para tudo que eu faço, o quanto deposito um potencial completo de energia quando realmente quero que as coisas dêem certo.
Ou seja, eu sou completamente dada;
Para o meu trabalho, para as minhas criações, para os meus textos, amizades, relacionamentos, observações, comportamentos, crises, isolamentos... tudo!
E notei o quanto isso é positivo! Se não tivermos a maestria necessária para nos doarmos plenamente - no sentido mais literal da palavra - a tudo na vida, o que a vida vai doar a nós? Em suma, eu realmente me dôo e muito.
Descobri que também é possível encontrarmos nossas melhores qualidades, camufladas no que - erroneamente - achávamos um defeito?!
Ao contrário de mim, existem as pessoas impotentes, incapazes, fracas. Me refiro a todos aqueles que têm medo da entrega, medo de si mesmo, medo de viver. Pessoas inaptas, retraídas na própria amargura.
Eis o que eu chamo de impotência latente que - está ali, mesmo que escondida ou não aparente - só tende a aumentar, dia após dia. Destas se incluem: a impotência sexual, moral, profissional, emocional, comportamental, afetiva, criativa, cognitiva, física e psicológica.
Impotente é aquele sujeito considerado ineficiente e incapaz de produzir qualquer mísero ato que consiga pulsar dele mesmo; Potencial de energia nulo para qualquer ação, que não seja simplesmente existir.
O impotente não vive, apenas existe.
Pessoas que realmente se doam ao mundo e a si mesmas não tem absolutamente nenhuma conexão com seres impotentes, porque não ocupam o mesmo espaço; não fazem parte de um mesmo espectro de energia, não pulsam num mesmo canal sincronizado.
Enquanto um estabelece trocas com a vida; doa e recebe, brilha e vive de forma infinita, o outro se apaga, morre lentamente, preso na sua ineficácia como ser humano. Fraco e oculto em um vulto eterno dentro de si mesmo; incapaz de poder. Incapaz de ser.
Talvez a vida não seja para todos...
Eu sinto muito pela pobreza de espírito destes seres.
E sinto muita vontade de me doar, cada vez mais.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

o [meu] mundo dá voltas

Voltei a velhos vícios
perdições e umas manias
A volta me remete um tanto quanto à ironia
Voltei a ser quem era sem a memória de quem sou
mudei de atmosfera mas a volta me levou
Voltei à hipomania
vejo o mundo lá de cima
o impulso me arrepia
só aumenta e me domina
A volta não tem certo
meio-termo ou errado
Voltar ao previsível
é render-se ao passado
O passado não me prende
desconheço e até nego
os presentes do presente
me consomem e eu me entrego
As voltas são constantes
nada é definitivo
o intuito de voltar pode
ser retroativo
Minha volta não consiste
em seguir desenfreada
Voltei a mesma volta
de uma nova encruzilhada
só queria o atalho
pra um caminho inabitado
Talvez voltar ao zero
seja mais apropriado
A volta é um progresso
um regresso uma mudança
Voltar pode ser dor um amor
ou uma lembrança
Voltar para si mesmo
é tarefa impossível
O ego nos defende
inconsciente/inacessível
Voltei aberta ao vivo
ao melhor que está por vir
A volta é mais intensa
antes mesmo de partir
Voltei a ser surpresa
pra mim mesma
quem diria
Em mim tem duas partes
com certeza uma é guia
quem sabe uma delas
nem sequer tenha seguido
A rota do meu mundo é
voltar sem ter partido

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

o doce do amargo

Me leva
eu te trago
Me conserta
eu te estrago
Me costura
eu te rasgo
Me conserva
eu aguardo
Me espera
eu parto
Me queima
eu ardo
Me preserva
eu te salvo
Me compra
eu te pago
Me reserva
eu te guardo
Na selva
No quarto

Me desperta
e eu te apago