terça-feira, 19 de outubro de 2010

Relationshits

Será que é a pegada que deixa a mulher apegada?
Será que é o beijo que define o nível da trepada?
Será que é ele ou você que não te dá o devido valor?
Será que é só sexo ou existe amor?
Eles preferem as presas pra se sentirem mais livres.
Eles preferem as pobres pra se sentirem mais ricos.
Eles preferem as burras pra se sentirem mais inteligentes.
Eles preferem as dependentes pra se sentirem independentes.
Eles preferem as passivas pra se sentirem mais ativos.
Eles preferem as mulherzinhas pra se sentirem mais machos.
E se você causa medo...
Pode ter certeza. Ele vai ser o primeiro a ir embora mais cedo.
Será que é o início que determina o meio?
Será que é você ou ele que vai te dar freio?
Eles gostam de te dar rédeas curtas.
Querem uma lady na rua e na cama, uma puta.
Ele te deseja até o último minuto.
Até você perceber...
Ele não é teu amigo.
Ele só quer te comer.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pó de crer

Na calada da noite, se encontraram. Obra do acaso, obra do destino.
Os olhares se cruzaram em meio àquela multidão de pessoas, em meio à música alta, barulhos alheios, risadas frenéticas, cheiro de álcool e o perfume da ilusão.
Ambiente cheio. Cheio de pessoas vazias... E o olhar, a profundeza dos seus olhares.
Metros de distância, tão perto mas tão longe... Chegaram perto um do outro;
Ela vestia branco, olhos vivos, brilhantes, em choque, vibrante. Sorriso estampado, levemente tímida, com a imponência que sempre lhe foi peculiar.
Ele vestia o casaco que ela mais gostava. Postura baixa, abismado, olhos vivos, sério, vidrado. Com a insuficiência que sempre lhe foi peculiar.
A – Nem acredito, sério...
B – No quê? Tudo bem contigo? Que bom te ver.
A – Sempre, tudo ótimo...
(Suspira)
B – Eu nem sei o que falar.
(Ele sorri, fica em silêncio, olha pro chão.)
A – Não precisa falar nada. Isso fala por si só, acho.
B – Nunca fui bom nisso. Enfim, tu sabe, fiquei meio tenso agora.
(Ele puxa um cigarro, lhe oferece um cigarro, acende os dois.)
A – Não precisa, tu tá indo bem.
B – Eu nunca vou bem em nada, mas me sinto melhor agora... gostei disso... de te ver.
(O silêncio é ensurdecedor; eles param, se olham, sem saber o que dizer nem o que pensar.)
A – Lembra?
B – Do quê?
A – A primeira frase que ouvi de ti foi “Eu tenho o que tu quer!”, e hoje, não sei por que lembrei disso, parece uma parte II daquela primeira vez. Sinto assim.
B – Eu tenho o que tu quer?
A – Eu não sei, talvez nunca saiba... enfim, eu tô com um pouco de pressa, só parei pra cumprimentar um amigo, achei bom te ver. Mesmo.
(Ela vira as costas e acena de longe, dando adeus.)
B – Eu também, muito. Talvez tu tenha o que eu quero.
(Ela para e vira somente o rosto.)
A – Eu voei, como pó!
Responde simpática, sarcástica e vai.
Com muita pressa, como sempre lhe foi de costume, voou como pó, inteiramente pura, branca, fina, volátil, deixando-o com o coração acelerado, envenenado, e seus olhos, ainda mais vidrados.
Ele continuou ali, no mesmo lugar, parado, com um copo de uísque na mão. Sentia-se sozinho, confuso e bêbado, em meio à sobriedade caótica de pessoas aleatórias e inflado de memórias e pensamentos, guardados. Na calada da noite, cinzas que voaram. Um encontro relâmpago, expresso, fugaz. Brinde do acaso, que foi levado pelo vento. Um tanto de pó.
Pó de crer.
Pó de crenças, incertezas e desejos ocultos que jamais seriam desvendados pois simplesmente o vento levava, a brisa soprava, o ar sugava, o medo aspirava e a fantasia... virou pó, pó mágico.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Perigo de Sorte - Alta Tensão

...E talvez só os dois tivessem a cura
para a doença interminável que existia
A presença foi inevitável
o fim de uma ausência sumia
Ela perdida no próprio renascimento
enquanto ele por dentro, morria
Ele que por tanto tempo a procurou
sentiu que seu prazo havia expirado
Ela enfim se [re]encontrou
havia recém começado
Estavam sendo guiados – ambos - por um poder duplicado
A dor transformou-se em amor
passou a ter cor, calor, sabor
a nova era de um longo início
Ela levantou vôo
altura invisível de um precipício
Mergulho profundo
lento e sublime na imensidão
Ele criava frutos
como se fosse uma árvore
com suas raízes cravadas no chão
O tempo passava depressa
perdeu a relação com o espaço
Quando enfim se reencontraram
Presos tornaram-se os laços
E deixaram plenos
o tudo e o nada para tras
Paz
interna externa e eterna
era somente o que ele pedia
Ela oscilava [in]constante
entre a paixão
o medo
e a euforia
... E talvez só os dois tivessem pura
a intensa [incurável] sincronia
Que crescia infinita
lado a lado
dia a dia
Não teve cura
foi nua e crua a realidade
Ela era só energia
E ele
Apenas eletricidade

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando todos os feitos pareciam ter sido esquecidos
Quando todo o amor matou a posse e renasceu falecido
Quando todos os defeitos voltaram, sem ao menos terem partido;

Dias coloridos que passaram em preto e branco
Noites mal dormidas a espera de outro tanto
Relações cruas cheias de luz que perderam o brilho...

[O mistério que seduz, foi o próprio auxílio]

O encanto cultivou os encontros
Perderam-se juntos em reticências, vírgulas, pontos
Entre os cantos, sonhos, esquinas, apenas mais um conto

Ideias mortas que sumiram com o vento
Frases tortas, cretinas, suplicavam por algum sentimento
E os corpos que se perdiam nas horas
Se cruzaram de fora, para dentro

O espírito tentou sentir a alma, selvagem, visceral
A mente perdeu a calma, a viagem e o final
Marcas que voaram, invisíveis pelo ar
Cartas que somente o tempo
Seria capaz de enviar...
...E o desejo contido
No silêncio de um olhar.

Quando todos os gritos perderem a voz
Quando todos os conflitos permearem no após
Quando todos nossos contras se transformarem em prós
Os laços livres - presos - farão sentido.
Só eu, você e nós.

quinta-feira, 25 de março de 2010

SCREAM FOR CONTROL

Por que nós gritamos um com os outros? Em uma única palavra, satisfação.

Jogar nossa raiva sobre alguém nos dá uma sensação rápida e profunda.

Mas, como uma droga, esse comportamento vai longe e logo precisamos do próximo grito de raiva para nos colocar em forma novamente.

Hoje, quando vocês quiser gritar, ou sentir raiva, restrinja. E isso não significa que você tenha que esconder a sua raiva ou fingir que ela não existe.

Mas, simplesmente, não despejá-la sobre os que estão a sua volta.

---Daily Kabbalah Tune Up: Scream for Control [24032010]---

quarta-feira, 3 de março de 2010

Desnutrido

Vivia numa busca
Incurável, sem remédio
Seu mal era inflável
Camuflado pelo tédio
Ele tinha vinte e três
Vinte e três longos
Enganos
Que cresciam lentamente
Toda vez no fim do ano
Seu corpo era fraco
Retraído em sua loucura
Media exatamente
Um metro e oitenta
De amargura
Buscava o equilíbrio
Sua vida era um peso
E marcava na balança
Setenta quilos
De desprezo
Desprezo pelos outros
Por si mesmo, tudo igual
Nutria um certo apego:
Dezoito centímetros
De mal!
Mau humor, desamor
Seu valor mal existia
Sentia-se indisposto
Vinte e quatro
Vezes ao dia
Vivia em um transe
Uma sina, um tormento
Seus sonhos?
Na padaria
Ele não conhecia
A não ser o alimento.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Prato [E]feito

Sumiu sem deixar rastro
Endereço e identidade
Fez de mim um objeto
Pra matar sua vontade
Pra ele, eu era rara
Caprichou na encenação
Testou a minha tara
E partiu na contramão
Seu nome era falso
Personagem triste e só
Na primeira eu já sentia
Voaria como pó
Na segunda ele mostrava
Uma certa intimidade
E sempre deixou claro
Que falava a verdade
Um tanto controverso
Ele era um impostor
Fingia ser sensível
Detestava o desamor
Perguntou-me sobre sonhos
Fiquei muda, que momento
Então ele replica:
De comer, o alimento
Parecia que era filme
Um roteiro bem canalha
Como ator era excelente
Mas a história teve falha
Uma pena, eu diria
Seu sumiço, a partida
Eu queria ele apenas
Como um prato de comida.